Tumores benignos não melanocíticos por Marisa André

Os tumores benignos não melanocíticos são um grupo de neoplasias frequentemente observadas em consulta pelo médico de família e por dermatologista. Presentemente, não existe um sistema de classificação unificador dada variedade das apresentações clínicas e a origem celular distinta.

A verruga (ou queratose) seborreica é o tumor benigno mais comum, surge em qualquer local do tegumento cutâneo com folículos pilosos, poupando mucosas, palmas e plantas; podem ser múltiplas e caracterizam-se pela sua grande variabilidade clínica: podem ser máculas, pápulas ou placas bem circunscritas, planas, castanhas, com superfície verrucosa, polipóide, pediculada; habitualmente são assintomáticas, excepto se sofrerem traumatismo o que pode originar dor e/ou prurido local; quando a sua superfície é castanha-escura pode levantar dúvidas de diagnóstico diferencial com outras neoplasias malignas, nomeadamente, melanoma. A dermatose papulosa nigra, considerada por muitos autores uma variante da verruga seborreica, surge em indivíduos de descendência africana, tratando-se habitualmente de pápulas múltiplas filiformes ou sésseis, hiperpigmentadas, localizadas preferencialmente na face (região malar e frontal).

A queratose folicular invertida é uma lesão única que surge em indivíduos caucasianos de faixa etária elevada e consiste numa pápula eritematosa, esbranquiçada, assintomática, localizada mais frequentemente junto ao lábio superior.
A stuccoqueratose consiste em pápulas ou pequenas placas brancas, acinzentadas, de superfície plana ou convexa, com uma colarete de escama fina, localizada nas extremidades dos membros inferiores, com uma distribuição simétrica em indivíduos velhos.


O acantoma de células claras é uma neoplasia pouco frequente, habitualmente pápula ou placa discreta eritematosa única assintomática, com escama na periferia, com vascularização proeminente, podendo ser erosionada, com exsudado seroso e com localização preferencial nos membros inferiores.

A poroqueratose consiste numa pápula ou placa hiperqueratótica, anular, com bordo elevado, fino, com crescimento centrífugo; estão descritos mais de cinco subtipos de poroqueratose: de Mibelli, superficial disseminada, superficial disseminada actínica, palmaris et plantaris dissiminata, linear e punctata.

A queratose liquenóide é uma pápula cor-de-rosa/castanha única, descamativa, assintomática, que surge no tórax e antebraços de indivíduos com fototipo baixo, podendo representar um estadio inflamatório de um lentigo solar, queratose actínica ou verruga seborreica.

O nevo epidérmico é um hamartroma benigno da epiderme e derme papilar que surge por volta do 1º ano de vida, traduzindo-se clinicamente por pápulas e placas papilomatosas hiperpigmentadas, distribuídas de forma linear ao longo das linhas de Blaschko e que se podem tornar mais espessas e verrucosas, podendo evidenciar-se uma demarcação abrupta na linha média.

O nevo verrucoso inflamatório linear consiste em pápulas ou placas psoriasiformes, lineares, habitualmente localizadas numa extremidade; 75% dos casos são diagnosticados antes dos 5 anos de idade, sendo mais frequente no sexo feminino.

O nevo organóide (ou de Jadasshon) é uma lesão congénita, com crescimento ao longo da infância (habitualmente uma pápula ou placa amarela-alaranjada de consistência mole) até à idade adulta (já com uma cor alaranjada-acastanhada, de superfície verrucosa), localizado na face ou couro cabeludo (onde pode originar uma área de alopécia).

O nevo comedónico é outro hamartroma benigno que surge habitualmente antes dos 10 anos de idade e consiste em múltiplos comedões agrupados linearmente na face, pescoço e tronco; pode existir um agravamento na puberdade e a infecção secundária é a complicação mais frequente.

O fibroma mole (ou fibroma pêndulo ou achrocordon) é a formação fibrosa mais comum e traduz-se por uma pápula cor de pele ou hiperpigmentada pedunculada, de localização preferencial no pescoço, axila, virilha, cuja incidência aumenta com a idade, habitualmente assintomática, excepto se submetido a irritação ou torsão.

O dermatofibroma (ou histiocitoma ou histiocitofibroma) é o 2º tumor fibrohistiocitário mais frequente, consistindo numa pápula dura, com dimensões 0,2-10 mm, localizado nos membros (inferiores) e que se caracteriza pela sua aderência ao plano subcutâneo no exame físico.

O nódulo doloroso da orelha (ou condrodermatite nodularis helicis) é um nódulo eritematoso ou cor de pele, único, mole, muito doloroso, com crescimento abrupto localizado na hélix.

Os quistos são lesões cutâneas frequentes que pode gerar preocupação médica e cosmética devido ao desconforto da irritação mecânica e/ou inflamação. São diversas as classificações variando de acordo com a localização anatómica, origem embriológica e características histológicas; podem-se considerar quistos verdadeiros se possuírem cápsula com epitélio e pseudoquistos se não possuírem epitélio.

O quisto epidérmico é um nódulo bem delimitado, com orifício central visível (que representa a oclusão da unidade pilosebácea) cuja ruptura da parede do quisto pode levar a reacção inflamatória exuberante e dor local.

O quisto triquilémico é clinicamente indistinguível do quisto epidermóide, sendo 4-5x menos frequente e em que 90% se encontram localizados no couro cabeludo, existindo um factor de hereditariedade autossómico dominante.

Os quistos de milia são frequentes e representam quistos de retenção repletos de queratina, pequenas pápulas de 1-2 mm na região malar e pálpebras.

O mucocelo é um quisto mucinoso da mucosa oral que consiste numa pápula ou nódulo translucente, azulado que resulta da disrupção de ducto salivar minor que leva à acumulação de material mucinoso, desencadeando uma resposta inflamatória com formação de tecido de granulação.

O quisto mixóide é um quisto mucinoso que surge na superfície dorsal da falange distal dos dedos (mais frequentemente das mãos), podendo estar associado a uma deformidade distal da unha (depressão), cheio de material gelatinoso.

A maioria dos tumores referidos são assintomáticos, excepto se sofrerem traumatismo ocasionando inflamação e dor locais. É importante a tranquilização do doente dado tratar-se de neoformações benignas e, no caso de dúvida relativamente ao diagnóstico, recomenda-se a sua excisão para diagnóstico definitivo após exame histopatológico.

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